domingo, 11 de abril de 2010

O nosso senso de justiça sempre foi presente nos primórdios de nossa história, naquele tempo a organização era tribal ou familiar, e muitos conflitos eram resolvidos usando a ‘lei de talião‘. Pra quem não sabe, é uma justiça punitiva espelhada: “olho por olho, dente por dente”. Assim, criminosos eram punidos com as próprias mãos dos que tinham interesse em punir, e de certa maneira isso não era muito organizado e não faltava gente morrendo.

Com o surgimento das grandes civilizações e impérios, o Estado surgiu para controlar as atividades humanas, como também organizar a matança do povo (estavam de saco cheio com pequenas guerrinhas de vizinhos e resolveram acabar com a festa). O primeiro conjunto de leis mais antigo conhecido foi o Código de Hamurabi, surgiu na Mesopotâmia por volta de 1790 AEC, era basicamente um código civil e penal. E depois dele muitos outros povos copiaram como os Hebreus, por exemplo.

Queria ter inventado essa

Depois na antiga Grécia, com o advento dos filósofos, a justiça ganhou uma nova roupagem, não era mais um modo de controlar o povo, mas também de promover a igualdade entre as pessoas (pelo menos os que não eram escravos ou coisa do tipo). Isso se deve ao pensamento do bem-comum, o Estado com papel de prover o bem estar da população mediante as leis igualitárias que beneficiasse a todos e não algumas classes ou pessoas distintivamente, escritas na obraRepública. Mas naquele tempo ninguém levava os gregos sofistas muito a sério, então essa justiça foi colocada na geladeira e ganhou força com a ascensão de Roma (A partir daqui a justiça é representada como uma mulher de olhos vendados, segurando uma balança e uma espada. Devo confessar que é bonita a simbologia, e também é um fetiche bem estranho por sinal). E de lá para cá a coisa se aperfeiçoou e hoje temos essa avançadíssima lei que nos coordena para vivermos em harmonia, paz e amor [sarcasmo/].

Uma obra muito interessante sobre a Justiça está no livro Leviatã de Thomas Hobbes. Como princípio o autor diz que os seres humanos são egoístas por natureza (oh rly?) e que o Estado tem que intervir nas relações humanas por meio de um contrato social (Quer ser brasileiro? Assine aqui, aqui e aqui). Assim as pessoas concordariam em viver em paz em contrapartida deveriam possuir obrigações e serem obedientes as regras vigentes e podendo ser punidas por um “Leviatã”, que no caso seria o próprio Estado com representação de alguém ou de algum grupo de pessoas. Como podem ver, é isso que acontece em qualquer estado de direito, com a exceção que você está inserido no contrato muito antes de nascer (muito over Power isso). A princípio o contrato deveria ser por meio da associação, não pela submissão.

Então o que é justiça, o que é justo? Na minha humilde opinião isso é apenas uma ilusão. A justiça ela pode existir em alguns pontos, mas em outros é inexistente – a justiça se torna injusta dessa maneira. O que é mais justo: Uma pessoa que tem dinheiro pra pagar uma ótima educação decoreba pra passar num vestibular de medicina, somente por ser altamente concorrido, sem ter o mínimo de vontade de fazer o que a medicina pede pra você fazer, que no caso seria ajudar as pessoas de verdade, não somente ter uma clínica e cuidar de doença de gente rica que pode pagar por isso; enquanto uma pessoa que não teve tanto recurso para decorar a matéria da escola, mas se sente profundamente disposta a ajudar as pessoas. Qual a justiça disso? Justiça por mérito? Mérito de ter dinheiro, tempo, e capacidade intelectual pra decorar várias disciplinas? Em uma educação falha que da brecha apenas pra quem vantagem monetária sobre a outra?

Disse tudo

Uma imagem fala mais do que mil palavras, principalmente quando tem palavras nelas

A reflexão acima é apenas um de milhares e milhares de casos que acontecem dia a dia, a justiça Platão e Sócrates não existe. É uma utopia que foi violentada com o passar dos anos até chegar a um conjunto de normas, tão extensas, que é praticamente impossível alguém sabe de cor tudo que há nela. Leis deviam ser simples, até porque, sendo realista, o povo é burro, ninguém lê livros ou escreve nada, somente assistem a TV e pronto! Pra que vida melhor? Então pra que complicar tudo? Simplificação de leis é um passo importante, exceção da exceção da exceção às vezes cansa. Criminosos são libertos enquanto o povo é condenado a uma prisão de insegurança, medo e revolta.

E ainda tem a anestesia mental de outro tipo de justiça: a divina. O negócio é tão brabo que só resta ter esperanças em algo sobrenatural pra dar um alívio na cabeça dessa gente perturbada. Essa anestesia deixa a vida melhor? Deixa sim, mas também deixam as pessoas acomodadas, o que é natural, à tendência é estar confortável com o menor esforço possível.

Mais uma vez, vemos o poder caindo sobre as pessoas e ligar pra justiça ou igualdade. A tendência do egoísmo humano é que sempre acaba com as boas ideias até então criadas

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